A Mutilação Genital Feminina,(MGF) é uma prática que envolve o corte ou remoção de partes dos órgãos genitais de uma menina ou mulher (clitoris). Isso acontece sem qualquer assistência médica e pode trazer muitos riscos à saúde. Já ouviste falar disso e tens dúvidas? Então. vamos a seguir entender melhor.
Como é feita a Mutilação Genital Feminina?
A Mutilação Genital Feminina (MGF) é feita por pessoas mais velhas da comunidade, quase sempre sem anestesia ou instrumentos esterilizados. Usam facas, lâminas ou até vidro, e o corte é feito à força, muitas vezes em segredo, no mato ou em casa. Isso causa dores fortes, sangramentos, infeções e pode dificultar a menstruação, a urina e até o parto no futuro. Em casos graves, pode levar à morte. É uma prática perigosa que fere os direitos das meninas.
Crenças mais comuns sobre a MGF:
- “A menina só vira mulher depois da mutilação”
Essa ideia reforça que a rapariga precisa passar por dor e sofrimento para ser “aceita” como mulher.
- “A MGF controla o desejo sexual da mulher”
Algumas pessoas acreditam que a MGF ajuda a mulher a “não ser promíscua” ou “respeitar o marido”. Isso é falso e perigoso. Toda mulher tem direito à sua sexualidade e ao prazer, sem ser controlada ou punida.
- “Se não for mutilada, ninguém vai querer casar com ela”
Essa pressão social coloca a mulher numa posição de medo e submissão.
- “A mutilação limpa e purifica o corpo da menina”
Essa ideia mistura crenças religiosas e culturais para justificar a violência. O corpo da menina/ mulher já é limpo e perfeito do jeito que é.
Mas isso não fere os direitos da rapariga?
Claro que sim. Toda rapariga tem o direito de crescer saudável, sem violência e com liberdade para decidir sobre o próprio corpo. A MGF é uma violação dos Direitos Humanos.
Nenhuma cultura ou tradição justifica ferir o corpo de uma menina.
A verdade é que muitas vezes a prática acontece porque a sociedade, atraves de normas culturais nocivas, impõe que “assim é que uma menina se torna mulher”. Mas isso não é verdade. Não precisas passar por dor e trauma para provar nada a ninguém.
Dicas para ti:
- Ouviste falar disso e ficaste com medo?
Não estás sozinha. Podes falar com alguém de confiança — uma irmã mais velha, uma amiga, um professor ou até ligar para serviços que te possam apoiar.
- Tens o direito de dizer “não”
Se alguém te pressionar, lembra: o teu corpo é teu. Ninguém tem o direito de decidir por ti.
- A tua voz importa
Fala com outras meninas. Partilha o que aprendeste. Juntas, podem quebrar esse silêncio e proteger umas às outras.
Em Moçambique, existem vários mecanismos de denúncia que podem ser usados para reportar casos de Mutilação Genital Feminina (MGF), uniões prematuras, abuso sexual ou qualquer tipo de violência contra meninas e mulheres. Aqui estão os principais: